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Ases cênicos e baralhos ilustrados

18.09.2020

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História
Tag curiosidade História

Os ases do baralho e demais cartas do jogo são fonte de divertimento e também de informação histórica e artística. 

 

Isso porque nas cartas paisagens que não existem mais, batalhas que fazem parte de nossa história, ou obras de catálogo de artistas gráficos podem estar sendo descartados à mesa.



Os ases do baralho foram precursores dos cartões postais  

 

Para decorar a grande área em branco dos ases, alguns fabricantes passaram a preenchê-las com vistas de cidades ou cenas alegóricas, principalmente a partir dos meados do século XIX.


Em sua maioria eram baralhos alemães e belgas que retratavam seu país e o estrangeiro. 

 

Paisagens brasileiras aparecem em várias edições, principalmente da cidade do Rio de Janeiro, que era então a capital do país.

 

Se a razão foi o exotismo do local ou lembrança da terra distante, esses ases do baralho foram na realidade os precursores dos cartões postais. 

 

As imagens eram baseadas em gravuras de viajantes, e mais tarde em antigos postais fotográficos. Já os reis, damas e valetes muitas vezes não tinham relação com os ases.

 

Wüst teve duas séries importantes de ases cênicos do Rio de Janeiro: a primeira com a “Igreja de Candelária" e o “Chafariz do Campo da Honra” entre outros. A outra série, mais recente, com a “Vista do Hotel Pharoux” e a “Entrada da Barra Vista de Fora”. 

 

Um terceiro conjunto de vistas sem legendas, já do século XX, traz o Teatro Municipal e o Aqueduto da Lapa. Frommann & Bunte, de Darmstadt, substitui algumas das vistas da segunda série de Wüst por novas, como “Tijuca no Rio de Janeiro” e “Corcovado e Saude”. 

 

É dessa época o exemplar editado por Dondorf, ilustrando “Pernambuco” e “Port de Porto Alegre”. Ainda da Alemanha vem cartas com vistas de Recife e arredores nos ases, entre outras “Rua do Cruz” e “Rua do Crespo”. 

 

Os fabricantes belgas produziram aquela segunda série de Wüst em exemplares dos mais diversos níveis de qualidade. 

 

Já Brepols utilizou uma série mais diversificada, com “Port de Bahia (Brésil)” e “Chapelle a Bahia (Brésil)”, mostrando as ruínas da capela de São Gonçalo, de inspiração na pintura de William Gore Ouseley. 



Cartas de baralho e o retrato de figuras reais

 

O bom relacionamento da família imperial brasileira com a Bélgica deve ser uma das razões para ser retratada em baralhos daquele país. 

 

O primeiro deles traz os imperadores do Brasil e da França, os reis de Portugal e da Espanha e suas consortes. 

 

E, o outro, editado por Van Genechten como “Jeu Quatre Empereurs”, os imperadores da Rússia, Alemanha e Áustria completam com D. Pedro II o quarteto. 

 

Nos ases, as tradicionais vistas do Rio de Janeiro.

 

Merece especial atenção um maço de cartas com a realeza e personalidades do Brasil e Portugal, editado por C.L.Wüst em torno de 1870.


O que o torna ainda mais interessante são as cenas de batalhas da Guerra do Paraguai em dois dos ases. 



Azevedo & C. imprimiu dois baralhos com ases cênicos: um com paisagens imaginárias, e outro com as chamadas maravilhas do mundo antigo. 



Baralhos ilustrados: a arte presente nas jogatinas

 

Alguns conjuntos de cartas têm aspecto de álbum ilustrado, servindo o baralho simplesmente como suporte dessas 52 cartas cujo valor e naipe só pode ser identificado pelo índice do canto. 

 

Além da edição de 1922 de Francisco Carneiro, houveram outras, como o “Baralho Turístico Brasileiro” dos anos 1960, com fotos monocromáticas, e o “Baralho Brasil” da COPAG, em produção corrente.

 

Moda em outros países, a coleção El Cabriton lançou desde 2010 três edições de seu “Projeto 54”, onde cada uma das 52 cartas e os 2 curingas são desenhados por um artista diferente.

 

Já o “Baralho do Mensalão” retrata em cada carta os envolvidos no rumoroso escândalo. Na mesma linha, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia colocou na internet um jogo onde cada carta traz a foto de um criminoso procurado. 

 

A vantagem da rede mundial é possibilitar a agilidade na substituição do conteúdo do baralho.



Por José Luiz Giorgi Pagliari e Cláudio Décourt